Chico António

Chico António

Chico António (nome completo: Francisco António) foi um ícone e lenda da música ligeira moçambicana, reconhecido pelo seu percurso de vida notável, da infância nas ruas ao reconhecimento internacional.

 

Dados Biográficos

 

  • Nascimento: 13 de maio de 1958, em Magude, província de Maputo, Moçambique.
  • Falecimento: 13 de janeiro de 2024, em Maputo, aos 65 anos, vítima de doença.
  • Instrumentos: Guitarra, Trompete, Piano.

 

Percurso de Vida e Iniciação Musical

 

  • Infância Dura: A sua primeira ocupação em criança foi como pastor de gado em Magude. Aos seis anos, fugiu para a então Lourenço Marques (atual Maputo) por medo das represálias do pai após perder parte da manada. Passou a viver nas ruas como menino sem teto (“molwene”).
  • Adoção e Formação: Em 1964, foi detido e, posteriormente, adotado pelo casal José Ferreira dos Santos e Lili Ferreira, que o colocaram no internato da Missão São João de Lhanguene (Igreja Católica).
  • Iniciação Musical: Foi neste internato que a sua carreira musical começou. Aos nove anos, tornou-se solista de um coro, e aprendeu a tocar trompete e solfejo. Ele referia-se a esta fase dizendo: “Sou gregoriano”.

 

Carreira Musical e Reconhecimento

 

  • Grupos Notáveis: No final da década de 1970, tornou-se músico profissional, integrando grupos importantes como ABC-78, RM e a Orquestra Star de Moçambique.
  • Prémio Internacional: O seu maior sucesso internacional foi a música “Baila Maria”, um dueto com a cantora moçambicana Mingas. Em 1990, esta canção conquistou o Grande Prémio do concurso Descobertas da Rádio França Internacional (RFI).
  • Estudos em França: Como consequência do prémio RFI, ganhou uma bolsa e foi para Paris, onde estudou técnicas básicas de piano, arranjos musicais e gravação. Foi tutorado pelo lendário saxofonista camaronês Manu Dibango.
  • Outras Composições Notáveis: Além de “Baila Maria”, destacam-se “Mercandonga”, “Antlissa Maria” e “Wodza”. O seu álbum “Memórias” (lançado em 2014, mas com canções antigas), retrata a sua fase de vida nas ruas na canção “João Gala Gala”.
  • Atividades Adicionais: Foi ator e músico na peça de teatro “Peut-Etre” em França e colaborou regularmente na composição de música para documentários, filmes e peças de teatro.
  • Prémio Carreira: Em 2018, recebeu o Prémio Carreira outorgado pelo Conselho Municipal de Maputo, em reconhecimento do seu contributo para a promoção da cultura moçambicana.

A sua vida é vista como um testemunho da sua dedicação à arte e um reflexo da história de Moçambique.

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